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Meio-dia
  • 12h 25min – Vermelho-terra
    12h 25min – Vermelho-terra
  • 12h 37min – Cochilo no sofá-cimento
    12h 37min – Cochilo no sofá-cimento
  • 12h 5min - Deus-nos-acuda
    12h 5min - Deus-nos-acuda
  • 12h 59min – Todos precisam descansar
    12h 59min – Todos precisam descansar
  • 12h 31min – Descanso, entre aspas e entre armários
    12h 31min – Descanso, entre aspas e entre armários
  • 12h 48min – Deito, logo durmo
    12h 48min – Deito, logo durmo

Meio-dia

O horário do almoço do operário da construção civil é o horário da fila para bater o ponto, da fila para pegar o almoço, do almoço. O tempo do almoço é, principalmente, o tempo do descanso, do cochilo.

Meio-dia, as mãos dos operários misturam-se. Misturam-se entre os cartões e o relógio, misturam-se à farinha, aos garfos, à comida. Os sujeitos-homens, sentados nos bancos de madeira, comem no “refeitório” de parede-madeirite, teto-pvc, de calor insuportável.

Mais-de-meio-dia, os operários são como o cimento e o tijolo da construção. O vermelho e o azul de seu macacão, o amarelo de seu capacete, a negritude de sua pele. No repouso dos trabalhadores, tudo contrasta com a frieza do cinza-concreto. É o reflexo do conflito na relação homem-cimento, trabalho-capital.

A obra não é de arte, é de cimento, é de suor.

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Amana Dultra

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Rafael Barreto

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