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Esnoba
  • Só porque tenho por ela um apreço imenso, ela me esnoba...
    Só porque tenho por ela um apreço imenso, ela me esnoba...
  • A minha vida é dura e duro é o meu cabelo
    A minha vida é dura e duro é o meu cabelo
  • É black Power, todo mundo quer ter meu cabelo
    É black Power, todo mundo quer ter meu cabelo
  • E essa criatura, por quem eu tenho apreço, fala da minha conduta pra eu raspar o cabelo
    E essa criatura, por quem eu tenho apreço, fala da minha conduta pra eu raspar o cabelo
  • Dei meu amor, você bem maltratou, sorriu dele, pisou, machucou, não quis mais conversa, disse que a vida mudara, e que eu não te
    Dei meu amor, você bem maltratou, sorriu dele, pisou, machucou, não quis mais conversa, disse que a vida mudara, e que eu não te
  • Eu sei que um dia viro a mesa, mudo de endereço. E essa criatura, por quem eu tenho apreço, vai ficar cheia de culpa por me dar
    Eu sei que um dia viro a mesa, mudo de endereço. E essa criatura, por quem eu tenho apreço, vai ficar cheia de culpa por me dar

Esnoba

No clique da fotografia, ao ritmo da música, essa narrativa se assemelha àquela vivida por muitos jovens brasileiros, mesmo no século XXI. Uma história de amor de um Black Power que se apaixona por uma mulher de fenótipo e classe social diferentes. Como em tantos outros casos, o casal não tem um final feliz: o rapaz, que leva uma “vida ‘dura’”, é esnobado por seu estilo, traços e cabelo tipicamente negros. Ele se orgulha do volumoso cabelo e da bela cor que possui. Logo, não se rende aos apelos da amada para se enquadrar em cortes e padrões. Algum tempo depois, ele “vira o jogo”.

A música “Esnoba”, na voz da cantora Emanuele Araújo do grupo Moinho, exemplifica de maneira clara e leve os sérios conflitos e preconceitos que ainda perpassam as relações inter-raciais no Brasil. Neste ensaio, visamos levantar reflexões e indagações sobre esse aspecto da conjuntura que vivemos. Os conflitos gerados por este tipo de relacionamento encontram-se camuflados, principalmente, pela crença em uma sociedade paradisíaca, sustentada pelo mito da democracia racial.

Mariana Sebastião

Verena Paranhos

2008.2

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