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Vilarejo
  • Peitos fartos, filhos fortes/Sonho semeando o mundo real
    Peitos fartos, filhos fortes/Sonho semeando o mundo real
  • Lá o tempo espera/Lá é primavera
    Lá o tempo espera/Lá é primavera
  • Flores enfeitando/Os caminhos, os vestidos, os destinos
    Flores enfeitando/Os caminhos, os vestidos, os destinos
  • Por cima das casas, cal/Frutos em qualquer quintal
    Por cima das casas, cal/Frutos em qualquer quintal
  • Terra de heróis, lares de mãe/Paraíso se mudou para lá
    Terra de heróis, lares de mãe/Paraíso se mudou para lá
  • Na varanda, quem descansa/Vê o horizonte deitar no chão
    Na varanda, quem descansa/Vê o horizonte deitar no chão
  • Há um vilarejo ali/Onde areja um tempo bom
    Há um vilarejo ali/Onde areja um tempo bom

Vilarejo

Há um vilarejo ali. E sua história é contada em rimas e versos. Não há espaço para a tristeza, a guerra ou a dor, e em cada sorriso de criança reside a primavera. O vento que sopra no fim da tarde traz uma atmosfera de tranqüilidade que há muito existe lá e não cansa de estar. Velhos dormem na praça e crianças rodam numa ciranda sem fim. O debruçar na janela é quase surreal e nos leva a crer que o tempo anda mais devagar por lá: o movimento das pessoas parece mais lento e a paisagem, estática.

O sentimento que impera talvez seja a paz de espírito. Ou uma súbita sensação de nostalgia, que nos arrebata ao estarmos tão perto daquilo que parecia um passado distante. É como se estivéssemos diante de um retrato antigo daquilo que nossos avós descrevem como o tempo de sua infância: portas e janelas escancaradas, a imagem da vida simples e do cotidiano de um lar, valores familiares que parecem perdidos com as recordações.

É a materialização daquele velho clichê da felicidade nas pequenas coisas da vida. Mesmo o velho cego que caminha solenemente na praça parece enxergar muito mais do que nós. E a alegria que transparece nos seus pequenos atos pode parecer impensável para aqueles que não percebem a existência de um mundo além daquele que os olhos podem ver. E o sonho contrasta com o mundo real. Vem andar e voa.

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Gabriela Teixeira

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Lis Nogueira

2007.1

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